A CPR como solução do financiamento agrícola

 

No ambiente do agronegócio a Cédula de Produto Rural – CPR é bastante citada, mas pouco utilizada. Infelizmente, a CPR ainda não alcançou o seu lugar merecido, sendo pouco conhecida em suas qualidades e condições de negócio.

De acordo com a Lei 8.929, de 22 de agosto de 1994, a Cédula de Produto Rural é um título de crédito com características diferenciadas, tanto na garantia que ele oferece, quanto no modo de sua circulação.

Atualmente, a CPR tem servido apenas de garantia simples prestada pelos agricultores às empresas fornecedoras de fertilizantes, conhecidas como Traders, na compra do insumo aplicado no plantio anual. Com esse sub-aproveitamento da cédula de crédito, as traders têm absorvido grande parte do lucro dos agricultores e assumido fatia importante do mercado financeiro, que deveria estar fomentando a agricultura com crédito em condições mais ágeis e favoráveis.

Esse panorama é vislumbrado porque o crédito agrícola, que é um dinheiro oriundo de 20% de todos os depósitos à vista do país, tem sido onerado em sua entrega aos agricultores, dificultando o financiamento da agricultura.

Entrincheirado entre o endividamento crescente e a dificuldade na obtenção de novo crédito, o agricultor tem lançado mão da CPR, para financiar seu plantio, dando-a em garantia na compra de fertilizantes. Entretanto, tem-na utilizado da forma menos favorável possível, deixando de obter todas as vantagens que existem com sua utilização plena. Esse plus que tem sido desmerecido pelos agricultores, tem rendido bastante dinheiro para as traders.

Os bancos comerciais tem uma participação quase simbólica na circulação desses títulos, empurrando-os para um mercado marginal, muito bem utilizado pelas distribuidoras de fertilizantes.

Se, ao invés desse quadro, a CPR fosse utilizada na amplitude de sua capacidade, com todas as suas possibilidades de negócio, o problema de endividamento do agricultor, e sua submissão aos bancos e traders, estaria com os dias contados. Entretanto, a falta de informação sobre o mercado financeiro, aliada ao tradicionalismo dos produtores rurais, tem perpetuado um problema com solução criada desde 1994, data de regulamentação da CPR.

Assim, é importante repensar a forma de negociação do financiamento agrícola, que hoje tem sofrido mais com o conservadorismo, do que com a falta de instrumentos de capitalização do agricultor.

A solução existe, basta praticar.

 

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2 Responses to "A CPR como solução do financiamento agrícola"

  1. Prezados Sr(s).

    Gostaríamos de saber como podemos comprar / fechar negócio na compra de uma usina de açúcar através da CPR, uma vez que já estramos com todas as documentações fornecida pela usina para ser analisada pelo banco ou trading financiadora para tal finalidade.

    Ficamos esperando uma breve posição de vossa parte,

    Antecipadamente agradece,

    João Leôncio.

    • Frederico Vasconcelos

      Prezado Sr. Joao Leoncio, desculpe a demora na resposta. Conseguimos apenas hoje ler sua pergunta. Informo que diversas são as soluções para efetivação de seu negócio, inclusive com o uso de CPR. Para lhe darmos uma resposta direta e definitiva, nos mande seu contato via email: frederico_79@hotmail.com. Já lhe adianto que diante das operações iniciadas no ano passado pela Bunge, com a circulação de CPRs no mercado secundário, a conclusão do seu negócio com essa modalidade de pagamento se torna muito interessante. Saudações.

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