“Golpe do Boleto”. Novidade pode reduzir sua ocorrência.

Como é o golpe.

O cliente recebe a fatura do cartão em casa. Vai ao banco mais próximo e paga a conta respeitando a data do vencimento. Mas, no mês seguinte, recebe notificação de que está em mora. Como?

Esse é o “golpe do boleto”, que consiste em uma fraude no boleto bancário.

A fatura tem alguns números do código de barras alterado e a quantia que o cliente acredita estar sendo usada para pagar suas contas é na verdade desviada para uma outra canta bancária. Quadrilhas especializadas adulteram as cobranças.

Ao que se sabe a fraude acontece durante a entrega dos boletos. As quadrilhas em questão interceptam as correspondências e substituem as faturas corretas pelas adulteradas e a mudança é praticamente imperceptível ao destinatário.

A dificuldade em identificar o golpe do boleto está na distração do consumidor que dificilmente desconfia da correspondência que recebe em casa. Por isso, é essencial fazer o alerta. Alguns cuidados com as faturas devem fazer parte da rotina, mesmo as entregues pelo banco, e mais ainda, com aquelas recebidas via email. Deve se observar a qualidade do documento, o papel e impressão inferiores aos de costume, formatação estranha, erros de português e outros aspectos incomuns são indicativos da interceptação do boleto.

O consumidor deve conferir se os três primeiros números do código de barras correspondem ao código do banco que expede a cobrança normalmente. Esses códigos podem ser acessados aqui. Se não baterem, é melhor não fazer o pagamento e esclarecer o assunto com o banco.

Golpe do Boleto

Soluções

A Federação Brasileira de Bancos (Febraban), em conjunto com a rede bancária, está desenvolvendo uma nova plataforma para modernizar o sistema de boletos de pagamento, o que trará maior segurança e agilidade. De acordo com a entidade, as instituições financeiras deverão entrar em contato com clientes que receberem boletos sem registro, realizando a troca do instrumento de pagamento. A previsão é que a nova plataforma esteja em funcionamento em janeiro de 2017.

O Banco Central (BC) analisa a mudança com otimismo. O instrumento é hoje parte da rotina de milhares de brasileiros. Embora seja seguro e eficiente, cresceu a incidência de ocorrências deste golpe, em que os números dos códigos de barras dos documentos são alterados, desviando o pagamento para outra conta, sem que o consumidor perceba.

Para os clientes, algumas das vantagens da cobrança registrada são a maior segurança na entrega eletrônica por meio do DDA e a comodidade de pagar o documento vencido em qualquer banco ou pela atualização do boleto no site da instituição financeira emissora. Para os bancos, a novidade traz maior segurança no gerenciamento da carteira (saber quem pagou, o que pagou e quando pagou), facilita a elaboração de relatórios de gestão e permite o uso dos boletos como lastro em operações de crédito. Para a sociedade, a base centralizada de boletos gerará melhor rastreabilidade das transações, aperfeiçoando a identificação de clientes e os processos de prevenção ao crime de lavagem de dinheiro e financiamento ao terrorismo.

Melhorias

Criado para acelerar as transações comerciais e cobranças extrajudiciais, o boleto de pagamento é referência internacional para o pagamento de dívidas. Estimulado pelo BC, sobretudo por meio do Diagnóstico do Sistema de Pagamentos Brasileiro, de 2005, o mercado desenvolveu o Débito Direto Autorizado (DDA), permitindo a apresentação eletrônica do boleto, a eliminação da necessidade de seu envio por meio físico e agilizando sua disponibilização. Mais recentemente, em resposta a demandas consumeristas, foi criado o boleto de proposta, para permitir a apresentação de boletos referentes a serviços ou produtos não prestados, e fixadas condições para a sua apresentação.

O BC e a Febraban seguem discutindo o seu aperfeiçoamento e planejam alterações para os próximos dois anos. A primeira novidade já entrou em vigor em 1º de junho, quando a rede bancária deixou de ofertar o instrumento para cobrança sem registro. Há o compromisso de que esse avanço não acarrete aumento de preços para os clientes finais, nem ocorra venda casada na emissão do boleto registrado.

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