Shadow Banking – Você sabe o que é?

Os ativos de instituições financeiras não reguladas que constituem o chamado shadow banking já somam US$ 7 trilhões nos países emergentes e esse segmento tem crescido a taxas superiores às do que o sistema bancário tradicional – na China, por exemplo, aumenta cerca de 20% a cada ano. Os dados estão na edição mais recente do Relatório de Estabilidade Financeira Global, divulgado na semana passada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). O documento ressalta que o shadow banking, expressão utilizada para definir a intermediação de crédito que envolve atividades e entidades fora do sistema bancário tradicional, assume características distintas em cada país, mas alguns fatores são determinantes para explicar seu crescimento.

Shadiow banking Statistics

“O aperto da regulação bancária e amplas condições de liquidez, assim como a demanda de investidores institucionais, tendem a fomentar atividades não-bancárias. O atual cenário financeiro nas economias avançadas continua a induzir o crescimento do shadow banking. Muitas indicações apontam para a migração de algumas atividades, como o empréstimo para empresas, de bancos tradicionais para o setor não-bancário”, informa o relatório. De acordo com dados do FMI, a participação de ativos desse tipo de instituição financeira não regulada como o mercado bancário tradicional passou de 6% para 35% do Produto Interno Bruto (PIB) nos países emergentes entre 2002 e 2012. No mesmo período, a fatia referente aos bancos passou de 30% para 70%.

O segmento também tem crescido nos Estados Unidos, onde os ativos de shadow banking são estimados entre US$ 15 trilhões e US$ 25 trilhões, de acordo com o relatório do FMI. No Japão, o total varia entre US$ 2,5 trilhões e US$ 6 trilhões e na Zona do Euro pode chegar a US$ 22,5 trilhões. “As estimativas são elásticas porque não há uma definição única, logo é complicado limitar quais ativos serão considerados nesse cálculo”, explica Rodrigo Lara, consultor do Desig. Ao tratar do Brasil no relatório, o FMI utilizou o conceito amplo de shadow banking, que engloba fundos mútuos de investimento, securitizadoras, corretoras e distribuidoras de títulos e valores mobiliários e sociedades de crédito ao microempreendedor, entre outras.

“Várias dessas instituições já estão dentro do grupo que o Banco Central monitora. Em outros países, essas entidades têm sua conduta regulada, mas não há supervisão prudencial. Aqui no Brasil nós temos os dois, especialmente depois do convênio firmado entre o BC e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que fiscaliza os fundos e as operações de securitização”, conta Rodrigo.

De acordo com dados do FMI, os ativos de shadow banking passaram de 25% para 50% do PIB brasileiro entre 2002 e 2013. O diretor de Fiscalização, Anthero de Moraes Meirelles, afirma que no Brasil essa expansão, em ritmo semelhante à do sistema bancário tradicional, tem sido monitorada e traz benefícios para a economia do país.

“Essa atividade financeira paralela não é essencialmente ruim. O desafio do regulador é maximizar os benefícios do shadow banking para economia e ao mesmo tempo minimizar os riscos para estabilidade financeira”, diz o diretor. Ele ressalta que o Banco Central possui ampla rede de dados sobre as transações financeiras realizadas no país, o que facilita permite a atividade de supervisão e o gerenciamento de riscos.

“Nosso maior diferencial é a nossa disponibilidade de dados granulares, sistemas de registros obrigatórios, por exemplo, no SCR [Sistema de Informações de Crédito] e nas centrais de registro e liquidação, o acesso tempestivo do supervisor aos dados e o tratamento desses dados, que se transformam em informação para a tomada de decisão em nível micro e macroprudencial.”

Na avaliação do FMI, a expansão do shadow banking acende um alerta. O relatório divulgado na semana passada afirma que monitorar a expansão de ativos de instituições financeiras paralelas é uma política fundamental para a estabilidade financeira. “A atual reforma da agenda regulatória, guiada pelo Comitê de Estabilidade Financeira (FSB, na sigla em inglês) tem conduzido a importantes avanços. Entretanto, muito dos princípios acordados não foram integralmente implementados, o que pode conduzir potencialmente a uma migração de risco entre países. Para conter esses efeitos, as autoridades de regulação financeira devem assumir uma visão mais ampla do sistema financeiro, adotando uma visão macroprudencial”, diz o texto.

Para ouvir a explicação da revista The Economist click: http://econ.st/1nstkKw

Fonte das informações: www.bcb.gov.br

Assuntos Semelhantes

Comments are closed.